A Norma de Desempenho e os projetos de interiores

Apesar de definir requisitos básicos para o projeto de novos edifícios habitacionais, a Norma de Desempenho (NBR 15.575 – Edificações Habitacionais – Desempenho) é hoje um parâmetro importante para arquitetos e engenheiros que projetam qualquer tipo de obra. Mas como ela pode beneficiar a arquitetura de interiores?

Projetar espaços internos requer mais que apenas “decorar” ambientes. A escolha de acabamentos deve ir muito além do que é esteticamente bonito, ou do que o custo-benefício pode alcançar, e por muito tempo alguns critérios como vida útil, qualidade acústica e reação ao fogo dos materiais escolhidos têm passado despercebidos por arquitetos e projetistas.

Um aspecto interessante da norma é que ela vem para delegar responsabilidades para todos os agentes envolvidos em uma obra – do incorporador ao usuário final. Aos projetistas, cabe a responsabilidade de desenvolver o projeto especificando produtos que atendam aos requisitos mínimos da norma e mais: é necessário indicar, nos memoriais descritivos e desenhos, a vida útil de cada sistema empregado.

A publicação também causou um impacto positivo na indústria fornecedora de materiais e de sistemas construtivos. Além de ter de atender a requisitos mínimos de fabricação definidos por normas anteriores vigentes, os fabricantes já entendem a importância de evidenciar como seus produtos cooperam com o atendimento aos critérios da NBR 15.575. Um bom exemplo é a indústria do gesso acartonado, que tem praticamente a integridade de seus produtos classificados e adaptados à realidade da norma, tornando mais fácil aos projetistas a escolha entre marcas e soluções.

Referências para o sistema de pisos

A grande maioria dos requisitos apresentados pela norma fala sobre sistemas estruturais, de vedação, de cobertura e de sistemas inerentes a um edifício levantado do zero. No entanto, uma das partes pode ser ótima referência para quem projeta espaços internos.

Na parte 3, são estabelecidos critérios mínimos de desempenho estrutural; de durabilidade e manutenibilidade; de segurança ao fogo, no uso e na operação; de estanqueidade; e de desempenho acústico para sistemas de pisos.

Por exemplo: na hora de definir os materiais, os arquitetos devem prever sistemas que resistam aos impactos de corpo duro nas condições de serviço e às cargas verticais concentradas. Além disso, devem optar por pisos com coeficientes de atrito que torne segura a circulação dos usuários. Outra exigência é com relação à diminuição da propagação de ruídos de impacto e aéreo, como aqueles emitidos ao caminhar e ao conversar dentro de uma sala.

A resistência à umidade é outro parâmetro importante a ser seguido. Os pisos devem ser estanques à umidade ascendente e devem impedir a passagem da umidade para outros elementos construtivos do projeto. O piso de áreas molháveis exposto a uma lâmina de água de 10 mm na cota mais alta por um período de 72 horas não pode apresentar, após 24 horas da retirada da água, danos como bolhas, fissuras, empolamentos e destacamentos.