Como é cobrado um projeto de arquitetura?

Saber o preço justo a ser cobrado por um projeto de arquitetura é uma tarefa que vai para além de calcular o custo por metro quadrado com base em tabelas prontas de honorários feitas por órgãos regulamentadores. Apesar de dar um bom norte tanto para quem contrata quanto para quem é contratado, as referências de custo de mercado acabam não refletindo a particularidade de cada escritório na execução dos serviços contratados.

Para chegar a um percentual justo (seja por metro quadrado, por custo total de obra ou até por hora trabalhada), há uma série de custos fixos e variáveis que devem ser considerados pelos arquitetos, e que podem servir de referência na hora de precificar desde um projeto simples até os mais complexos.

Tempo é dinheiro

As tabelas de honorários do CAU e do IAB são boas referências para a composição de preços, mas é preciso adequá-los à realidade dos escritórios de arquitetura de acordo com o serviço que eles prestam. Na LPA, o primeiro passo para chegar a um método justo de cobrança foi medir o tempo gasto em cada projeto ou serviço contratado com a ajuda de um software de controle de horas (embora tudo possa ser computado manualmente). Leva tempo, mas de acordo com Pierina Piemonte, sócia do escritório, foi o melhor meio de se chegar a um preço condizente com os serviços oferecidos. 

Na LPA, tudo começa com um processo de mentoria. Muitas vezes, os próprios clientes não entendem muito bem suas necessidades, e analisar as demandas e os espaços disponíveis já é um trabalho que demanda tempo e conhecimento. E com um programa bem definido, é possível estimar quantas horas serão necessárias para concluir determinado projeto. Ou seja, por quantas horas cada profissional envolvido vai trabalhar para entregar o que foi acordado com cliente, sempre dentro do prazo estimado. Esse costuma ser o custo/hora de um escritório de arquitetura, que inclui também todas as contas fixas para manter a estrutura funcionando.

Além dos custos diretos, ou fixos, há também os custos indiretos, compostos por projetos complementares que precisam ser terceirizadas, desenhos, revisões e plotagens não contempladas no contrato inicial, e até pelos custos com eventuais deslocamentos, hospedagens e refeições.

Com tudo computado, é possível chegar a um preço por metro quadrado, por hora ou por custo total de obra mais condizente com a realidade do escritório. “No fim, percebemos que os valores não variam muito de um projeto para o outro quando eles têm características parecidas. Não significa que um projeto pequeno vai demandar menos tempo de trabalho que um maior. , mas sim que tudo depende do nível de complexidade que ele nos apresenta”, finaliza a arquiteta.