Mulheres na arquitetura: onde estão, quais seus desafios

A luta das mulheres para conquistar seu lugar na Arquitetura é antiga. E persiste até hoje. Desde a norte-americana Marion Mahony Griffin (1871/1961), considerada a primeira mulher a se tornar arquiteta (graduada pelo MIT em 1894), as mulheres conquistaram mais direitos, mais espaço, entraram nas universidades e obtiveram reconhecimento pelos seus projetos. Nomes como Denise Scott Brown, Lina Bo Bardi e, mais recentemente, Kazuyo Sejima e Zaha Hadid tiveram destaque e são lembradas por suas obras. Mas a lista de arquitetas ilustres ainda é pequena em relação à de homens que alcançaram o mesmo status – vejamos a lista do Pritzker, que conta apenas com Zaha e Kazuyo na premiação anual desde 1979; ou as capas das principais publicações de arquitetura.

Zaha Hadid
Zaha Hadid
Lina Bo Bardi
Lina Bo Bardi
Kazuyo Sejima
Kazuyo Sejima
Mahony Griffin
Mahony Griffin

 

Outro nome reverenciado é o da paulistaa Kliass, 83 anos, pioneira da arquitetura paisagística e responsável, entre outros projetos, pela reforma do Vale do Anhangabaú, nos anos 80, em São Paulo.

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Rosa Kliass

Mas se poucas arquitetas conseguiram deixar seu nome registrado na história, é cada vez maior o número de mulheres na área: segundo dados do CAU, há 128 mil arquitetos registrados no Brasil – 60,65% deles são mulheres

As mulheres estão, cada vez mais, ganhando espaços e dominando territórios que antes eram considerados redutos exclusivamente masculinos. Óbvio que ainda há muitas conquistas, como o de igualdade salarial, por exemplo, em vários setores da economia. Lembrando que essa é uma luta não só das brasileiras, mas em todo o mundo. Porém, aqui no Brasil, há um setor onde as mulheres já são maioria, onde elas dominam o mercado e grandes nomes se destacam pela grandiosidade dos trabalhos que desenvolvem: o de arquitetura e urbanismo.

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Mas existe alguma diferença entre os arquitetos e as arquitetas? Na teoria é evidente que não existe diferença na profissão entre os sexos, mas podem existir pontos em que cada um deles pode ter uma leitura diferente em momentos diferentes.

No desenvolvimento de projetos as mulheres têm uma maior facilidade na percepção e do trato com os clientes o que ajuda e tirar ou fazer a leitura do que realmente o cliente procura para sua construção. Essa sensibilidade permite um maior espaço contra o conflito que muitas vezes acontece entre o profissional e o cliente, que por sua vez acaba insistindo em pontos que para o profissional é claro que não tem finalidade para o projeto, mas que deve ser administrado para que o cliente possa ser convencido para que o projeto não tenha pontos fracos em seu desenvolvimento e sua ocupação.

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Já nos acompanhamentos de obra a figura masculina se coloca menos deslocada em um ambiente que muitas vezes é hostil para as mulheres. Atividades práticas de acompanhamento de obras e outros campos são muitas vezes melhor desenvolvidos pelos homens pela sua característica natural de se relacionar entre os do mesmo sexo em assuntos técnicos.

Muitas arquitetas, acabam seguindo a linha de desenvolvimento e decoração por ser um segmento com menos contato com as atividades técnicas de acompanhamento em uma fase que a obra é uma reduto masculino, assim como muitos homens preferem seguir a linha do acompanhamento técnico pela dificuldade no trato com clientes.  

É evidente que as diferenças entre os profissionais da arquitetura ficam restritos ao sexo, mas as características pessoal de cada individuo com que eles sigam linhas diferentes nas suas profissões.

Não importa o sexo o importante é que o acompanhamento entre profissionais de uma obra e o desenvolvimento dos projetos é importante para que a obra e a construção sejam encaminhadas de forma correta e sem problemas.

A sociedade moderna e a abertura dos mercados não permitem mais preconceitos nesse sentido, e assim como existem facilidades nas características de cada gênero, também existem as exceções, mulheres que se dão muito melhor que homens no acompanhamento das obras e gênios masculinos no desenvolvimento de projetos.

Mas com certeza temos muito que comemorar atualmente, pois a diferença salarial tem diminuído segundo pesquisas realizadas em 2015 pelo Architect’s Journal, folhetim inglês voltado ao mundo da Arquitetura e Construção, que realizou pela quarta vez a pesquisa.

A mulher é sempre objetificada, julgada menos capaz ou invisibilidade pelos seus companheiros de trabalho. Hoje, no Brasil, uma mulher que exerce as mesmas funções que um homem recebe, estatisticamente, 30% a menos. E, como se não bastasse as dificuldades reais de cada profissão, temos que conviver ainda com os preconceitos e opressões no dia a dia, na vida acadêmica e profissional. Definitivamente se torna mais difícil a ascensão em uma área não esperada para uma mulher pela sociedade dessa forma e, por isso, algumas das predominâncias acabam se tornando reais, já que as oportunidades não são as mesmas.

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Mas mesmo em Crescimento ainda existe preconceito em relação ao sexo feminino e como prova disto temos tristes indicadores:

 

  • Dos 34 prêmios Pritzker (o “Nobel” da Arquitetura) já concedidos, apenas   2 ( dois) foram conquistados por arquitetas
  • Apesar de termos registrados no CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo um número maior de arquitetas que de arquitetos, a proporção entre professores arquitetos e professoras arquitetas é de 1 arquiteta para cada 3 arquitetos.
  • No Brasil os escritórios de maior destaque e notoriedade no setor possuem a sua equipe encabeçada por arquitetos.

Muito ainda há para se fazer, mas um grande caminho já foi percorrido por nós arquitetas. Temos orgulho do caminho traçado.

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