SPACE PLANNING: ALÉM DO PROJETO ARQUITETÔNICO

Quando se fala em metodologia e processos no âmbito da arquitetura, sempre são abordados os temas do projeto arquitetônico e da construção da obra, como já abordamos diversas vezes neste blog. Na procura cada vez mais apressada da conclusão do processo arquitetônico, poucos param para pensar quais são as etapas que se dão antes do projeto.

Afinal, o que acontece antes de se iniciar um projeto de arquitetura? O que leva alguém a decidir que precisa de um projeto, e como o arquiteto deve auxiliar na decisão?

Em tempos de crise, é cada vez mais comum as empresas reduzirem o número de funcionários, ou até mesmo algumas empresas inovadoras crescerem exponencialmente. Seja bom ou ruim, não é novidade que estamos em um momento de mudanças. Com mudanças financeiras, vêm mudanças operacionais, e com elas, mudanças espaciais.

Uma empresa que em um curto tempo muda de 10 funcionários para 100, ou vice-versa, requer mudanças substanciais em seu modo operacional e seu espaço de operação. Todas as suas necessidades passam por mudanças, seja de arquivamento, de espaços colaborativos, de salas reunião, etc.
No crescimento, até mesmo as relações hierárquicas da empresa podem mudar. Uma empresa conservadora pode optar por departamentos mais abertos, mais criativos. Cubículos, escritórios fechados e grandes salas de reunião formal podem dar lugar a mesas compartilhadas, hierarquias horizontais e espaços abertos informais.

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Tudo isso se reflete dentro do espaço ocupado pela empresa, que nem sempre pode suportar tais mudanças. Uma empresa que diminua de 100 funcionários para 60 terá altos custos para se manter no mesmo espaço, uma vez que grande parte dele permanecerá vago. Da mesma forma, uma empresa que cresça, muito provavelmente não comportará o novo número de funcionários dentro do mesmo espaço.

Além de questões de conforto do escritório, há normas previstas em lei[1] que limitam a lotação máxima de um escritório, o que pode levar escritórios a buscar novos espaços.

 

[1]Segundo o Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo (COE/SP – Lei N° 11.228/92), o cálculo de lotação máxima de escritórios é de 7m²/pessoa. Dentro disto, a Instrução Técnica N° 11 (IT-11) do corpo de bombeiros calcula a vazão por minuto de pessoas pelas saídas de emergência.
 

 

Frente à estas mudanças, a resposta da LPA é um conjunto de processos chamados de Space Planning, ou planejamento de ocupação. Esta etapa anterior ao projeto leva em consideração três momentos diferentes: a situação atual, a projeção de ocupação e o Test Fit.

 

Situação Atual

Dentro da situação atual, realizamos um levantamento qualitativo e quantitativo do espaço atualmente ocupado pela empresa, bem como o padrão de uso de espaços comuns.

Quantitativamente, levantamos o número efetivo de funcionários, seus nomes, cargos, departamentos e se são volantes ou fixos. Levantamos também o crescimento planejado da empresa para os próximos 5 anos, de modo a propor um espaço duradouro e que comporte este novo crescimento. Também registramos o mobiliário existente, seu estado de conservação e a intenção de reaproveita-los ou não no futuro espaço.

Qualitativamente, observamos a satisfação dos colaboradores quanto a questões básicas de conforto, como conforto térmico, iluminação, privacidade, mobiliário, entre outros. Observamos também a necessidade de proximidade física entre departamentos, realizando um diagrama de proximidades.
Realizamos também um monitoramento dos espaços de uso comum, principalmente de salas e espaços de reunião. Com isso, entendemos exatamente o uso de cada sala, e a necessidade de cada uma. É frequente a presença de grandes salas para 12 pessoas sendo utilizadas na maior parte do tempo por 2 ou 3 pessoas. Com isso, podemos sugerir espaços e salas menores de reunião ao invés de diversas salas de alta capacidade.

 

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Projeção de ocupação

Ao analisarmos a situação atual do escritório, podemos realizar a análise do novo espaço a ser ocupado. Realizamos um levantamento de áreas do espaço, observando qual a área total de intervenção, áreas técnicas, áreas de banheiro, etc., bem como realizamos o cálculo de Fit Loss, que é a área inutilizável devido à arquitetura do edifício. Com a área final, podemos calcular a lotação máxima do escritório, confirmando se a área escolhida atende às normas e leis da prefeitura e do corpo de bombeiros.

Levantamos também novas necessidades de áreas, equipamentos e mobiliários específicos e gerais dos departamentos, como pools de impressão, salas de treinamento, impressoras compartilhadas, etc.

Ao final da análise do novo espaço, realizamos um relatório com todas as informações coletadas até então para aprovação da empresa.

 

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Test Fit

Como último passo do Space Planning, são realizados cenários de Test Fit. Estes cenários simulam uma ocupação do novo espaço contendo todas as necessidades listadas e levantadas anteriormente. Eles consistem em plantas básicas de ocupação sem medidas fixas ou acabamentos. É uma etapa próxima à um Estudo Preliminar, porém em menos detalhes, com o intuito de preparar o espaço para um projeto arquitetônico efetivo.

 

 

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[1]Segundo o Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo (COE/SP – Lei N° 11.228/92), o cálculo de lotação máxima de escritórios é de 7m²/pessoa. Dentro disto, a Instrução Técnica N° 11 (IT-11) do corpo de bombeiros calcula a vazão por minuto de pessoas pelas saídas de emergência.